Operação Vérnix: transportadora ligada ao PCC movimentou R$ 20 milhões em Presidente Venceslau, segundo investigação

  • 21/05/2026
(Foto: Reprodução)
Operação Vérnix mira esquema milionário ligado ao PCC em Presidente Venceslau A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio da Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau, e o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) – Núcleo de Presidente Prudente, deflagraram nesta quinta-feira (21) a Operação Vérnix, voltada à apuração dos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, que envolve uma transportadora localizada no Oeste Paulista. A ação é resultado de uma investigação de alta complexidade, construída ao longo de anos, que revelou uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à cúpula da facção criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC). 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp As investigações tiveram início após requisição do Gaeco à Polícia Civil para apurar os crimes de integrar organização criminosa e lavagem de capitais atribuídos a Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; Deolane Bezerra Santos; Everton de Souza; Paloma Sanches Herbas Camacho; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, entre outros investigados. Segundo a Polícia Civil, esta é a terceira fase de uma cadeia investigativa encadeada e decorre diretamente de duas apurações anteriores, que comprovaram a atuação dos envolvidos em um esquema de lavagem de capitais em benefício da facção criminosa. Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC Quem são os alvos da operação que prendeu Deolane e mira Marcola e parentes Dona de mansões e carros de luxo: quem é Deolane Bezerra, a advogada e influencer com 21 milhões de seguidores presa pela 2ª vez em SP Veja a cronologia da operação que prendeu Deolane Bezerra e mira Marcola e família por lavagem de dinheiro do PCC Transportadora ligada ao PCC movimentou R$ 20 milhões em Presidente Venceslau, segundo investigação Arquivo/Polícia Civil Investigações A primeira investigação começou em julho de 2019, após a apreensão de manuscritos com integrantes da facção que estavam na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os documentos revelaram a existência de uma transportadora instalada no município, utilizada como empresa de fachada para lavagem de dinheiro sob o comando da liderança máxima da organização criminosa. Os manuscritos também mencionavam uma “mulher da transportadora”, responsável por levantar endereços de agentes públicos para a execução de atentados. A segunda investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que identificou a empresa como Lopes Lemos Transportes Ltda., de nome fantasia “Lado a Lado Transportes”, instalada em um imóvel ao lado da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Após a quebra dos sigilos bancário e fiscal, os investigadores constataram que a empresa movimentou mais de R$ 20 milhões no período analisado, com incompatibilidade entre as receitas declaradas ao Fisco e os débitos identificados. Segundo a investigação, a diferença de R$ 6,9 milhões indicaria a prática de lavagem de dinheiro. Os proprietários Ciro Cesar Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos foram indiciados, denunciados e condenados. A sentença reconheceu que a transportadora “foi o instrumento utilizado para lavagem de capitais, valores estes obtidos pelo crime organizado”. Operação Lado a Lado identificou envolvimento de transportadora instalada em um imóvel ao lado da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Arquivo/Polícia Civil O avanço das investigações apontou ainda que a empresa não seria apenas contratada pela facção, mas uma pessoa jurídica criada pelo próprio PCC e dirigida indiretamente pelos líderes da organização criminosa. Conforme a investigação, todos os indiciados mantinham vínculos com a transportadora, seja como gestores, intermediários ou beneficiários dos repasses financeiros. A análise de um aparelho celular apreendido na residência do casal Ciro e Elidiane, mantido oculto em observância aos protocolos da facção, revelou conversas no aplicativo Telegram que detalhavam o funcionamento do esquema. De acordo com a investigação, Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como “Marcola” ou “Narigudo”, apontado como líder máximo do PCC e preso no sistema penitenciário federal, determinava providências, definia estratégias e estabelecia a divisão dos lucros da transportadora por meio de intermediários. Operação mira transportadora, família de Marcola e influenciadora Deolane Bezerra Reprodução O irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, conhecido como “Gordão”, também integrante da cúpula da facção e recolhido ao sistema penitenciário federal, seria responsável por dirigir a empresa em sociedade com Marcola. Ainda segundo a investigação, os caminhões da transportadora eram adquiridos por determinação de ambos. Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola, atuaria como principal intermediária das ordens da cúpula, transmitindo ao gestor financeiro Ciro as determinações recebidas durante visitas ao pai no sistema penitenciário federal. Conforme o inquérito, ela também assumia o controle da parcela patrimonial do genitor e orientava a divisão e a transferência dos valores oriundos da transportadora. LEIA TAMBÉM: Homem é preso após agredir jovem e deixar botões de fogão abertos em casa no interior de SP Menino de 6 anos sofre queimaduras graves após acidente com fogo dentro de casa no interior de SP Operação de combate ao contrabando termina com perseguição e apreensão de carga de cigarros no interior de SP Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, irmão de Paloma e filho de Alejandro, aparecia, segundo as conversas analisadas, como beneficiário do rateio dos lucros da facção. Everton de Souza, conhecido como “Player”, atuaria como gestor indireto da transportadora, orientando Ciro sobre quais contas deveriam receber os valores destinados a Alejandro e Marcola. Segundo a investigação, a identificação dele levou os policiais até Deolane Bezerra Santos, apontada como integrante do esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação aponta que Deolane figurava entre os beneficiários diretos dos repasses provenientes da transportadora, com depósitos realizados em conta bancária própria, conforme comprovantes encontrados no celular apreendido. Os afastamentos de sigilo bancário demonstraram, segundo a Polícia Civil, que Deolane movimentava milhões de reais relacionados à facção, utilizando sua estrutura financeira e a aparente respeitabilidade social para inserir os valores ilícitos no sistema financeiro formal. Entenda a ligação entre Deolane e Marcola, chefe do PCC, segundo a polícia No relatório final, a Polícia Civil representou pelas prisões preventivas dos investigados e pela decretação de medidas cautelares patrimoniais. O documento aponta a existência de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro operado pela cúpula do PCC, mesmo a partir do sistema penitenciário federal, com participação de familiares e pessoas de confiança. A Justiça decretou seis prisões preventivas, além do bloqueio de mais de R$ 327 milhões, do sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo, e de quatro imóveis vinculados aos investigados. O Ministério Público concordou integralmente com a representação policial e o Poder Judiciário também determinou a inclusão dos investigados na difusão vermelha da Interpol e a adoção das medidas de constrição patrimonial. Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, disse que está se "inteirando dos fatos". O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem. Initial plugin text Operação investiga lavagem de dinheiro do PCC Agência SP Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/05/21/operacao-vernix-transportadora-ligada-ao-pcc-movimentou-r-20-milhoes-em-presidente-venceslau-segundo-investigacao.ghtml


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