Quem é Marcola, chefe do PCC há mais de 20 anos e alvo de operação que prendeu Deolane

  • 21/05/2026
(Foto: Reprodução)
Como recibo de conserto de óculos levou Marcola para prisão há 25 anos Apontado pelas autoridades como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) há mais de duas décadas, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, voltou ao centro das investigações nesta quinta-feira (21), alvo de uma operação do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil de São Paulo contra lavagem de dinheiro da facção criminosa que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra. Mesmo já preso no sistema penitenciário federal de Brasília, ele teve um novo mandado de prisão expedido pela Justiça. A ação também incluiu entre os alvos familiares do criminoso: o irmão Alejandro Camacho e os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, afirmou que ainda vai "se inteirar do caso". As defesas dos demais citados não foram localizadas pelo g1. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de autorizar buscas e o bloqueio de bens envolvendo Marcola e seus parentes _que ultrapassam centenas de milhões de reais. A operação, batizada de Vérnix, apura um esquema estruturado de ocultação de patrimônio ligado ao PCC. Segundo investigadores, o grupo utilizava empresas de fachada — entre elas uma transportadora com sede em Presidente Venceslau, no interior paulista — para movimentar recursos milionários e dar aparência legal ao dinheiro obtido com atividades ilícitas. Quem é Marcola Marcola está preso desde 1999. Ele é apontado por autoridades com o chefe do PCC Reprodução/Arquivo/TV Globo Nascido em 1968, em Osasco, na Grande São Paulo, Marcola tem 58 anos atualmente. Ele teve uma infância marcada pela pobreza e pela perda precoce da mãe. E passou a viver nas ruas ainda jovem e iniciou a trajetória criminal com pequenos furtos na região central da capital paulista. O apelido que o tornaria conhecido nacionalmente surgiu nessa época, associado ao hábito de inalar cola de sapateiro. Com o tempo, passou de crimes menores para assaltos a banco e acabou preso pela primeira vez em 1986. Durante o período no sistema prisional, aproximou-se de detentos que estruturavam o PCC, facção criada em 1993. Descrito por investigadores como articulado e leitor assíduo, Marcola ascendeu rapidamente na hierarquia e assumiu o controle da organização no início dos anos 2000, após disputas internas. Preso desde 1999, ele segue em regime fechado e acumula condenações que somam centenas de anos por crimes como tráfico de drogas, roubos a banco e homicídios. Controle atrás das grades Crimes de Maio, o dia em que São Paulo parou: onda de violência no estado completa 10 anos Mesmo atrás das grades, Marcola é apontado como responsável por comandar as ações da facção, que atua dentro e fora dos presídios. O PCC se consolidou sob sua liderança como a maior organização criminosa do país, com atuação no tráfico de drogas, armas e outros crimes. Sendo considerada por algumas autoridades como uma máfia. Um dos episódios mais marcantes ligados ao nome dele ocorreu em maio de 2006, quando a transferência de líderes da facção — incluindo o próprio Marcola — desencadeou uma onda de ataques coordenados em São Paulo. A ofensiva deixou mais de 560 mortos em poucos dias e é considerada a maior crise de segurança da história do estado. Nova investigação Entenda a ligação entre Deolane Bezerra e Marcola, que levou à prisão da influenciadora A atual operação que voltou a atingir o entorno de Marcola teve origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro de um presídio paulista. A análise do material levou à abertura de inquéritos que revelaram uma complexa estrutura financeira da facção. De acordo com as investigações, o esquema utilizava contas de terceiros, depósitos fracionados e empresas para ocultar a origem dos valores. Parte dos recursos teria sido movimentada por operadores financeiros e distribuída entre integrantes da organização. O MP e a Polícia Civil também miram na operação desta quinta a influenciadora Deolane Bezerra e o filho de criação dela, o influencer Giliard Vidal dos Santos. O advogado dela, Luiz Imparato, disse que está se "inteirando dos fatos". A defesa de Giliard não foi encontrada. Deolane foi presa por suspeita de ter recebido valores provenientes desse sistema, o que ampliou o alcance da apuração para além do núcleo tradicional da facção. Ao mirar novamente Marcola, mesmo já preso, a operação busca desarticular a estrutura econômica que sustenta o PCC. Segundo investigadores, enfraquecer o núcleo financeiro é considerado essencial para reduzir o poder da organização criminosa.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/21/marcola-chefe-do-pcc-ha-mais-de-20-anos-volta-a-ser-alvo-de-operacao-que-mira-lavagem-de-dinheiro-da-faccao.ghtml


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