Veja a cronologia da operação que prendeu Deolane Bezerra e mira Marcola e família por lavagem de dinheiro do PCC

  • 21/05/2026
(Foto: Reprodução)
Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem A Operação Vérnix, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, que prendeu nesta quinta-feira (21) a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra e o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, além de parentes dele, teve origem em uma investigação que começou há sete anos e contou com quatro fases. O grupo é acusado de lavagem de dinheiro do crime organizado. A investigação revelou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa de fachada controlada pela cúpula da facção. Veja aqui quem são os alvos da operação. Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, disse que está se "inteirando dos fatos". O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem. Entenda as fases da operação abaixo: Fase 01 A primeira etapa envolve a descoberta de anotações na Penitenciária II de Presidente Venceslau indicando tráfico, ligação com chefes do PCC e planos de atentados. Os bilhetes e manuscritos estavam em posse de dois presos. Fase 02 Depois da análise do material apreendido, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, a poucos metros do presídio de segurança máxima no oeste paulista, que seria usada para lavar dinheiro, com movimentações milionárias incompatíveis com renda declarada. Fase 03 Em uma operação sobre o esquema de lavagem de dinheiro por meio da transportadora, a polícia encontrou um aparelho celular oculto com um dos operadores do PCC. A análise de mensagens revelou controle direto do esquema pelos chefes do PCC, com divisão de lucros e uso de intermediários, entre eles Deolane Bezerra e Emerson de Souza. Fase 04 Os relatórios financeiros trouxeram a confirmação técnica da lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, depósitos fracionados e ocultação de patrimônio. Sobre a investigação Uma das mansões e dos carros de luxo da advogada Deolane Bezerra, postado nas redes sociais. Reprodução/Redes Sociais A investigação começou em 2019 com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada. O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de alto escalão e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Entre os trechos analisados, chamou atenção dos investigadores a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa. Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso. As investigações conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. A investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos — indicado como operador central — trouxe para o MP e para a Polícia Civil ainda mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Isso abriu uma nova frente de investigação, sobre suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. A partir das análises, o inquérito apontou que Ciro Cesar Lemos comprava caminhões, realizava pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles, o que o coloca como homem de confiança da liderança da facção. As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro César Lemos. Ele está foragido, assim como a esposa. Segundo a investigação, os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e a seus familiares. Para as transações, foram usadas as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra. A apuração ainda constatou que a influencer possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da investigação, agora voltada a esmiuçar um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão por parte de Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC A investigação fez cruzamentos de provas apreendidas nos últimos anos com relatórios de movimentação em contas físicas e jurídicas em nome da influenciadora Deolane Bezerra para identificá-la como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorre em depósitos em espécie, partindo do caixa do PCC por meio da transportadora de cargas, e ordenada pela cúpula da facção, segundo a investigação. Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing). Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza (vulgo “Player”), que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais. Outro fato que aparece na investigação são quase 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane Bezerra, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e que tem como responsável um homem, morador da Bahia, que recebe em torno de um salário mínimo ao mês. A análise das contas a débito, tanto de Deolane quanto da empresa dela, mostra que não foram identificados pagamentos relacionados a esses tais créditos, o que é apontado pela investigação como um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC. Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados para as contas da influenciadora e de suas empresas. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. O valor diz respeito à quantia de origem não comprovada — com indicativos de lavagem de dinheiro. Quem é Deolane Bezerra? Deolane Bezerra, viúva de MC Kevin, faz tatuagem em homenagem ao cantor: 'No meu coração, só ficará momentos bons' Reprodução/Instagram Presa pela segunda vez nesta quinta-feira (21) em São Paulo, a advogada Deolane Bezerra é uma influenciadora digital e empresária que ficou conhecida nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021. A advogada tem atualmente cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram, segundo plataformas de monitoramento de redes sociais. Ela ganhou notoriedade após começar a postar fotos de carros de luxo e das mansões onde morou ou mora atualmente, na região de Alphaville, em Barueri, cidade da Grande SP. Nas redes sociais, ela ostentava em fotos cada um dos endereços, viagens a lugares como Dubai e Roma, além de viagens de jatinho e helicóptero. A rotina de luxo chamou atenção das autoridades e, em setembro de 2024, ela foi presa pela primeira vez, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais ligados a bets e casas de apostas. De acordo com as investigações da Polícia Civil de Pernambuco, Deolane havia investido R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo nos três anos anteriores. A influencer ficou presa por cinco dias no Recife e depois conseguiu habeas corpus, passando a responder em liberdade com medidas cautelares. ONG da produtora de filme de Bolsonaro apresentou milhões em notas canceladas e sem valor fiscal em contrato de wi-fi

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/21/veja-a-cronologia-da-operacao-que-prendeu-deolane-bezerra-e-mira-marcola-e-familia-por-lavagem-de-dinheiro-do-pcc.ghtml


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